Uma das coisas que sempre me intrigou em relação a clientes é o tipo que pensa saber mais que o profissional que está contratando. E isso não acontece somente no desenvolvimento para web; é caso até corriqueiro em diversas outras áreas de atuação, como design, publicidade, propaganda, e outros.

Situações causadas pelo “sabe tudo”

Um dos cenários críticos que pode acontecer é o cliente responder “de qualquer jeito” o briefing do site, achar que não ficou bom o trabalho que foi apresentado (sem explicar os motivos), alegar que tal ou qual coisa deveria mudar de lugar, a posição do elemento “x” não está boa, que as cores não combinam, etc, e ainda alterar o escopo do projeto no meio do desenvolvimento – para, no fim, reclamar que o prazo inicial não foi cumprido…

Não deve ser frequente que tudo isso aconteça de uma vez com o profissional, mas, com certeza, não raramente pelo menos um dos “itens” já fez, faz ou fará parte da vida de todo profissional de criação, em especial freelancers (ainda mais os iniciantes) que, justamente em função de sua modalidade de trabalho, muitas vezes passam como “parte fraca” da história e suas ações e juízos não são julgados com muito crédito e/ou de forma menos considerada.

Sempre que alguém levanta este assunto na blogosfera, em geral, vem as já “tradicionais” comparações com médicos, engenheiros, arquitetos, etc. Pessoalmente, acredito serem comparações muito válidas e pertinentes (por exemplo, “O Sr. diz ao médico como deve fazer a operação? Então…”), mas, sinceramente, acredito que não propiciem tanta eficácia quanto era de se esperar. Dependendo do caso, o potencial cliente pode até ficar ofendido com o “tom” com que se fala e, aí, você pode dizer “Adeus” ao job esperado…

Não digo que não sejam situações delicadas de se tratar e se passar; entretanto, há clientes que realmente passam dos limites e pensam, inclusive, saberem mais que o próprio profissinal que contrataram ou estão prestes a contratar. “Retire esta borda”, “Aumente este espaçamento”, “Faça isso”, “Faça aquilo”… São coisas desnecessárias que, no geral, comprometem o andamento e ânimo que se tem com o trabalho em questão.

Não estou afirmando que o cliente não tem a liberdade de opinar sobre o trabalho que ele mesmo está pagando para ser realizado; o que contesto é quando ele pensa, erroneamente, que tem maiores conhecimentos que os profissionais contratados. Ora, então por que ele mesmo não fez o site? Por que contratou um terceiro para fazer por ele, já que sabe tanto o que fica melhor ou pior em cada situaçao?

Possíveis soluções

Depende de cada caso, há quanto tempo a pessoa está atuante, dentre muitas outras coisas, mas, baseado na experiência que já tive e ainda tenho, os possíveis argumentos para os casos em que o cliente pensa que entende mais que a pessoa que ele contratou, no caso, pensa que sabe mais de desenvolvimento web do que o desenvolvedor, seriam:

Se tudo o mais falhar…

Quando todos seus – pertinentes – argumentos não funcionam, mesmo sendo bem sensato e convincente, é uma lástima… Há clientes que cismam com determinada coisa e, por mais que saibam que estão errados, “batem o pé”; a coisa se torna algo pessoal para ele.

Os profissionais, neste caso, costumam adotar medidas diferentes, bem diferentes, podendo chegar ao extremo de dispensar o cliente em função do desgaste psicológico e emocional que já passou e “prevê” que irá passar por muito tempo. Para quem já está consolidado no mercado e/ou tem uma boa carteira de clientes, penso ser esta a medida certa a se fazer. Concordo 100%!

Para os que ainda não se encontram nesta situação, também existem coisas a serem feitas. Conversando com minha colega Rúbia Gardini (atualmente, não mais entre nós…), fiquei sabendo de uma maneira muito eficiente e profissional de lidar com o fato: faça exatamente tudo o que o cliente quiser e simplesmente não coloque sua “assinatura”; simplesmente não informe ao mundo que foi você quem fez aquela “peça”. Caso o cliente ache isso ruim ou estranho – sim, acontece de o cliente achar isso -, simplesmente diga que, devido as alterações impostas, o site não ficou com a mesma “linha” de seu portfolio e, por tanto, você prefere não assinar.

Direto demais? Rude demais? Não! É simplesmente a verdade.

Conclusão

Veja este vídeo que vi no Digital Paper, num artigo que trata, mais ou menos, sobre o mesmo que este post, “Quando o cliente palpita demais“, que ilustra, de forma bem humorada, o que os criadores têm que passar.

Que fique bem claro que penso que o cliente deve, sim, ser ouvido em vários momentos do desenvolvimento do site. Afinal, é para o publico-alvo dele que tudo está sendo feito. Não raramente surgem boas propostas e sugestões sobre o próprio site e seu andamento e, justamente por ter ouvido o que o cliente tem a dizer, o resultado final fica melhor. Mas, convenhamos, não raramente falta respeito e bom senso

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