prefers-reduced-data: como funciona a nova media query

Conheça prefers-reduced-data, a nova media query para controle de dados. Veja casos de uso práticos em que ela será bastante útil.

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Embora cada vez mais pessoas tenham acesso à Internet, nem todas têm conexões gigabit rápidas ou dados ilimitados. A media query prefers-reduced-data ajudará a tornar possível desenvolver sites acessíveis a todos.

Essa nova media query é parte de um conjunto de media queries futuras projetadas especificamente para oferecer suporte a diferentes preferências das pessoas e seus respectivos ambientes — conforme explicado no artigo sobre a nova era do web design responsivo.

prefers-reduced-data indica que a pessoa deseja usar o mínimo de dados possível. Neste artigo, saiba por que isso é importante, as alternativas disponíveis, as estratégias para implementar a nova media query para realmente economizar dados.

Por que reduzir/economizar dados?

O tamanho médio das páginas Web está subindo lentamente: elas estão ficando cada vez maiores, com o tamanho médio atual de uma página para desktop sendo superior a 2 MB — o tamanho médio de uma página para celular não fica muito atrás, com 1,9 MB — e não parece que essa tendência está diminuindo; segundo o HTTParchive, o tamanho médio de página cresceu cerca de 40% no último ano.

Embora um tamanho de página de 2 MB possa não ser um problema para pessoas em uma rede doméstica com uma boa conexão, a cada dia mais e mais pessoas obtêm acesso à Internet, geralmente com conexões significativamente mais lentas.

Por exemplo, a Holanda ocupa a 5ª posição mundial de velocidade de conexão, com uma velocidade média (móvel) de 88 Mbps, enquanto um país como a Índia fica na posição 131, com uma velocidade média de 12 Mbps.

Tela de celular mostrando aplicativos que se beneficiariam do uso da nova media query prefers-reduced-data.

Segundo a Speedtest, a Índia tem o 2º maior número de pessoas conectadas à Internet no mundo (atrás da China), mas apenas 54% dos indianos atualmente têm acesso à Internet. No entanto, esse número está crescendo 9% a cada ano. Um crescimento semelhante está acontecendo em muitas partes do mundo.

Em outras palavras: cada vez mais pessoas estão tendo acesso à internet em todo o mundo, mas sua velocidade de internet é incomparável com a que se pode encontrar em países mais desenvolvidos.

Isso sem falar nos limites de dados (ou data caps).

A maioria das assinaturas de internet móvel vem com um limite de dados, após o qual o acesso à internet é interrompido ou a velocidade é severamente reduzida. A 2 MB por site, se alguém tiver um limite de dados de 1 GB, são 500 páginas (ou apenas 16 páginas por dia) — de tamanho médio; se alguém rolar pelo Facebook ou Twitter, esses dados durarão muito menos.

Dados reduzidos para as pessoas

No momento, não há suporte dos navegadores para a media query prefers-reduced-data. Mas, então, como as pessoas podem optar pela redução de dados?

Atualmente, elas já podem enviar uma preferência de dados reduzidos para os servidores de outra forma, usando o cabeçalho “Save-Data”. Ele consta nas versões do Mobile Chromium (no Android) e está disponível em vários navegadores como extensões/plugins.

O cabeçalho Save-Data

O cabeçalho Save-Data é um cabeçalho de solicitação, algo que o navegador envia ao servidor. O servidor pode, então, decidir enviar uma resposta diferente (como uma imagem menor).

Infelizmente, isso é algo que os desenvolvedores front-end geralmente não temos muito controle.

Felizmente, já é possível de ser detectado com JavaScript:

No momento, esta API “connection” está disponível nos navegadores Chromium e através de uma flag no Firefox. Além de verificar se saveData está ativo, també é possível obter a velocidade efetiva da conexão.

É possível combinar ambas as checagens para verificar se uma pessoa está com saveData ativo ou em uma conexão lenta:

Por um lado, ter isso como um cabeçalho o torna muito mais poderoso, pois é possível enviar respostas totalmente diferentes do servidor.

Mas, infelizmente, ter isso como um cabeçalho também significa menos flexibilidade e requer muita coordenação entre o desenvolvimento de front-end, back-end e gerenciamento de servidor.

Estratégias para implementar prefers-reduced-data

Usar media queries é algo que desenvolvedores front end estamos familiarizados e sabemos como fazer.

prefers-reduced-data tem 2 valores possíveis:

  • no-preference
  • reduce

Assim como prefers-reduced-motion, é bom pensar na opção prefers-reduced-data: reduce como a opção default: por padrão, as pessoas obtêm uma experiência enxuta e rápida e, apenas quando indicam que não há preferência, envia-se mais dados. Dessa maneira, browsers que não oferecem suporte à media query entregam a experiência enxuta por padrão.

Talvez você ainda não queira fazer isso para novos sites até que o suporte adequado esteja mais amplamente presente. A alternativa é fazer um uso estratégico de prefers-reduced-data: reduce e prefers-reduced-data: no-preference ao longo do CSS (algo que será mais bem explicado a seguir).

Casos de uso para prefers-reduced-data

Agora que algumas estratégias de implementação de prefers-reduced-data, foram abordadas, veja alguns casos de uso práticos para a nova media query.

Carregamento condicional de fontes

Embora todos os desenvolvedores Web gostemos de usar fontes personalizadas, também estamos cientes e, geralmente, aceitamos usar fontes alternativas (alternative fonts).

Na verdade, isso é incorporado ao CSS com o conceito de font stacks (“pilhas de fontes”) e é especificamente esse recurso que é possível de usar para carregar fontes condicionalmente:

Neste snippet, foi especificada uma stack — já conhece o systemfontstack? — que usa fontes do sistema como fallback e apenas carrega a fonte preferida (Inter) quando prefers-reduced-data está definido como no-preference. Se Inter não estiver disponível, ele usará automaticamente a próxima fonte disponível.

Se preferir mostrar a fonte preferida para navegadores mais antigos, é possível adicionar um bloco de media query ao redor da declaração CSS:

Isso acarreta em alguma duplicação de código, mas, como fontes Web são carregadas somente quando são usadas na página e não quando são declaradas no CSS, isso ainda impedirá o carregamento dos arquivos de fonte.

Imagem de background alternativa (ou sem imagem)

Uma outra excelente ideia é usar imagens de fundo diferentes (ou nenhuma). Mesmo com formatos de imagem modernos, como WebP e AVIF, na maioria das vezes, imagens ainda são uma parte significativa do payload de uma página Web.

Ou, talvez, seja preferível eliminar totalmente a imagem e usá-la apenas para aprimorar a página:

Em vez de uma cor sólida, também é possível usar gradientes para aproximar a imagem e obter a mesma sensação. São muitas as possibilidades!

Carregar imagens menores

O elemento pode ser usado para exibir imagens diferentes dependendo de uma media query e, também, pode-se usar prefers-reduced-data para enviar uma imagem menor em vez de uma imagem em tamanho real ou 2x retina.

Impedir pré-carregamento ou reprodução automática de vídeos com JavaScript

Na Web, vídeos podem ter um impacto significativo no tamanho total de uma página e há 2 coisas que devem ser evitadas quando alguém preferir dados reduzidos: reprodução automática (autoplaying) e pré-carregamento (preloading).

O pré-carregamento de vídeos torna o início deles muito mais rápido, o que é uma ótima experiência para os visitantes, mas se eles preferem dados reduzidos e imagens são pré-carregadas, há desperdício de largura de banda em um vídeo que talvez não vá ser assistido.

Para evitar a reprodução automática e o pré-carregamento de vídeos, usa-se a função JavaScript window.matchMedia:

Isso testará a media query no carregamento da página e definirá os valores corretos para os atributos no elemento de vídeo.

Infelizmente, como o suporte de navegadores para prefers-reduced-data ainda não existe, isso impedirá o pré-carregamento para todos os visitantes. Por enquanto, faz mais sentido usar como padrão o “caminho feliz” para pré-carregamento e reprodução automática.

Essencialmente, o que isso informa é “avalie como verdadeiro quando a media query prefers-reduced-data não corresponder ou quando corresponder”. Como explicado no artigo (acompanhado de vídeo) sobre Media Queries, a vírgula, em uma media query, atua como um OR.

Portanto, será verdade se prefers-reduced-data for compatível, independentemente do valor. Mas, se um navegador encontrar uma media query que não entende, ele a avaliará como falsa.

Com isso, é possível verificar se há suporte, em primeiro lugar, e usá-lo para reprodução automática e pré-carregamento quando:

  • Não há suporte;
  • Há suporte e a pessoa não definiu preferência (no-preference).

Algo mais ou menos como:

É possível melhorar ainda mais o snippet levando em consideração o cabeçalho “Save-Data”, mostrado anteriormente:

Não carregar mais dados desnecessariamente em páginas com scroll infinito

Com prefers-reduced-data também é possível evitar o carregamento de mais dados sem o consentimento explícito de quem visita a página.

Por exemplo, em uma página de rolagem infinita que carrega mais dados, como Twitter, Facebook ou Reddit, é interessante considerar adicionar um botão “Carregar mais” quando detectar que o visitante prefere dados reduzidos.

A implementação disso vai depender das necessidades do projeto, mas pode ser algo mais ou menos assim:

Conclusão

Com o advento do novo web design responsivo, faz todo o sentido o surgimento de uma media query para responder a necessidades de controle de dados e realizar ajustes finos de experiência com base nisso.

Por enquanto, ainda não é possível usar prefers-reduced-data, mas, já já, essa nova media query será uma realidade banal e estará a disposição dos desenvolvedores front-end para que possamos entregar sites e apps com experiências ainda melhores.

E você, consegue imaginar mais cenários de uso prefers-reduced-data?

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