A Zona do Polegar: projetando interfaces para polegares

Conheça a Zona do Polegar e como ela ajuda a projetar interfaces para dispositivos móveis mais eficientes e profissionais.

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Polegares. O “instrumento” que nos torna humanos, separando-nos de nossos cães e gatos de estimação. Passados através das gerações, nossos polegares — ou, usando o linguajar do populacho, dedões — têm nos permitido fazer todo o tipo de coisas: de segurar tacos de madeira a usar smartphones. Neste artigo, conheça a Zona do Polegar e como seu estudo ajuda a projetar interfaces para dispositivos móveis.

A Zona do Polegar

Na vida moderna, infelizmente tacos de madeira raramente são usados. Mas não são raras as situações em que as pessoas nos encontramos de pé com o telefone em uma mão, interagindo, explorando, conversando e enviando mensagens usandos polegares. Atualmente, os polegares são mais relevantes do que nunca!

Em seu livro de 2011, “Designing Mobile Interfaces“, Steven Hoober cunhou o termo “The Thumb Zone” ou A Zona do Polegar, para se referir (em uma tradução livre) à “área mais confortável para o toque usando (um dispositivo móvel) com uma mão”. Com 49% das pessoas segurando seus telefones em uma mão e os usando com um polegar, esta zona mítica é um “mantra” muito importante para os designers seguirem.

A Zona do Polegar
“Zona do Polegar” clássica

Conteúdo importante precisa ser direcionado para o polegar, para onde é natural (verde) que o polegar possa estar. As áreas em amarelo estão no alcance, mas podem ser consideradas uma área de “rebaixamento”, uma área menos nobre, destinada a interações touch menos importantes. As áreas em vermelho devem ser evitadas para interações importantes; as pessoas preferem não interagir por ali.

Obviamente, A Zona do Polegar é diferente em cada dispositivo: telefones maiores terão mais extensão e menor contração e vice-versa.

Por exemplo, eis a A Zona do Polegar em um iPhone 6 Plus:

A Zona do Polegar em um iPhone 6 Plus
A Zona do Polegar em um iPhone 6 Plus

Justificando A Zona do Polegar

Por que se deve colocar ênfase no design de interfaces e interação para esse 5º dígito? Pela mesma razão, desenvolvedores web asseguramos que sites sejam fáceis de navegar via mouse: em função da acessibilidade e UX — se ainda se confunde entre a finalidade das diferentes siglas do mundo da interação digital, leia o artigo “UX, UI, IA, IxD: chega de confusão!“; para assegurar que as pessoas possam navegar eficientemente através dos conteúdos; a fim de deixar os visitantes mais confortáveis através de experiências contínuas.

A Zona do Polegar em ação

O conceito de “A Zona do Polegar” não é muito difícil de entender e usar na prática: simplesmente projete seguindo as regras. Veja alguns exemplos a seguir.

Facebook

A Zona do Polegar no Facebook (iPhone 4)
A Zona do Polegar no Facebook (iPhone 4)

O Facebook leva em consideração os conhecimentos sobre A Zona do Polegar.

É possível ver conteúdo principal, o feed de notícias, no centro da tela. Isso ocupa a largura da área natural, permitindo que as pessoas facilmente percorram o conteúdo infinitamente. O único desabono é a inclusão da notificação de solicitação de amigo, uma posição que poderia beneficiar o botão do Messenger.

Nas áreas vermelhas d’A Zona do Polegar, apenas uma parte da barra de busca (não há problema aqui) e o botão para mais opções. Esta é uma colocação inteligente, já que as pessoas não usam o botão para ver opções adicionais tão frequentemente — portanto, sua colocação em uma área mais difícil de ser acessada com o dedão faz pouca ou nenhuma diferença.

BBC Sport App

A Zona do Polegar no BBC Sport (iPhone 4)
A Zona do Polegar no BBC Sport (iPhone 4)

Este aplicativo (na versão em que está sendo mostrada) é somente a versão mobile do site BBC Sport, é 95% de conteúdo. Tudo pode ser alcançado navegando através do conteúdo principal, que se encaixa perfeitamente na área verde natural. O único botão é o hambúrguer, já bastante familiar para todos nós.

A Zona do Polegar no menu do BBC Sport (iPhone 4)
A Zona do Polegar no menu do BBC Sport (iPhone 4)

Ao acessar o menu, o app vai direto para a armadilha das áreas vermelhas. Mover sua colocação para a parte superior esquerda para fechar o menu faz sentido, mas, ao fazê-lo, fica mais difícil de o alcançar com o dedão para fechá-lo. É isso mesmo: ao tentar facilitar o fechamento do menu — através da lógica –, o tiro sai pela culatra, fazendo com que a interação se torne fisicamente mais difícil de se alcançar.

Este é o equilíbrio entre IHC e psicologia que UX pode e tem que resolver ao equilibrar intuitividade com o que é realmente alcançável por quem usa os sites/apps. Conceitos simples, tal como a d’A Zona do Polegar, podem fazer maravilhas para o planejamento de experiências aprimoradas.

Impacto da Zona do Dedão no iOS e Android

Com o passar do tempo e evoluções tecnológicas e mercadológicas, as demandas em produtos e interações se alteram. Foi justamente o caso de sistemas operacionais para dispositivos móveis. Com cada vez mais ânsia por telas maiores, as empresas sucumbiram e tiveram que se adequar. A Zona do Polegar as auxiliou também nesse quesito.

Uma das justificativas da Apple em não aumentar o tamanho da tela de seus aparelhos, era justamente por conta disso. De nada serve um elemento de interação (um botão por exemplo), se ele está fora de alcance. Ela acabou sucubindo a telas maiores de 4″ por conta de pressão mercadológica do setor, os consumidores queriam telas maiores. A solução foi “descer” a interface quando o usuário dá dois toques no botão home, deixando-a mais alcancável para os polegares.

Por conta da Thumb Zone que o Google, com seu padrão de interface Material Design, colocou o call to action em suas aplicações na parte de baixo da interface, para tirar uma possível barreira de uso do usuário com a aplicação.

Uma visão ambidestra da Zona do Polegar

A maioria das pessoas somos destros, daí a Zona do Polegar ser mostrada para interações usando a mão direita. Para uma consideração mais ampla, levando em conta os canhotos, tenha em mente um “planejamento ambidestro” de interfaces, com as seguintes áreas — que, na prática, são o espalhamento com sobreposição da Zona do Polegar “normal”:

A Zona do Polegar: uma visão ambidestra
A Zona do Polegar: uma visão ambidestra

Em um mundo ideal haveria tempo e investimento necessários para sempre levar em conta um planejamento ambidestro de interfaces — e/ou, nas opções do site/app, a possibilidade de se trocar o direcionamento da interface conforme se escolha se se é canhoto –, mas estamos falando do mundo real. Infelizmente, devido a limitações de vários tipos, é preciso dar enfoque à maioria — no caso, mais de 90% das pessoas somos destros.

Desculpem canhotos, mas é assim que é.

Conclusão sobre A Zona do Polegar

Quem planeja interfaces sem levar em considerações técnicas e princípios básicos de UX ainda não estão preparados para o nível de qualidade profissional na web. E, na maioria das vezes, são princípios simples de serem compreendidos e implementados, tal como a A Zona do Polegar.

Portanto, se quiser elevar seu planejamento de interfaces para dispositivos móveis ao próximo nível, atingindo uma qualidade superior ao prover experiências mais eficientes e gratificantes aos que visitam seu(s) produto(s)/serviço(s) na web, comece imediatamente a levar em consideração A Zona do Polegar.

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